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09 de dezembro de 2010 12:30

Admiráveis movimentos constantes.

Por Felipe Jordan

Alguns movimentos peculiares se repetem a todos instantes, esses tipos de locomoções por vezes são despercebidos, são obscurecidos na memória no decorrer do dia-a-dia, mas estão sempre presentes na vida útil dos seres humanos e na vida inútil dos seres não-humanos. Quando nascemos é sob os encantados olhos maternos que se movimentam delicadamente, que o corpinho frágil de um bebezinho apoiado sob carinhosos braços um tanto trêmulos, que vai pra lá e pra cá embalados pelas emoções, emoções que movimentam mais rápido o coração da mãe dedicada. Ao decorrer dos primeiros meses aprendemos a movimentar os pequenos membros do pequeno corpo, enquanto isso existe diversos outros movimentos em ação: Os astros, a tecnologia e as descobertas científicas. A recordista de movimentos é a vida, pois a cada mínimo instante nascem e morrem pessoas. Neste momento mãozinhas ainda pequenas estão tentando rabiscar vogais, outras mãos talvez tentem controlar desesperadamente o volante de um carro! Exige uma força concentrada pra movimentar um gatilho e um bisturi, movimentos leves e suaves são os que conduzem expressões de afeto, movimentos agitados estão ausentes no coração deprimido e presentes no coração adolescente. Existem os movimentos que impressionam como os dos esportes, os que emocionam como os dos dramaturgos. Existem também as pessoas que nos assustam com movimentos violentos. Mas nenhum movimento são tão bonitos quanto os movimentos altruístas, como levantar para ceder um lugar num transporte público, entregar um objeto a quem o perdeu, dirigir uma cadeira de rodas, essas e outras centenas de movimentos desse nível movimentam a um ponto positivo nossos sentimentos de satisfação e felicidade.

Á caminho da velhice num dos movimentos mais notáveis do corpo, a pele vai enrugando, os órgãos diminuem o ritmo, os olhos se locomovem mais lentos assim como a estrutura óssea, o calendário se move mais depressa, e por fim é numa cadeira de balanço que se “para”, o melhor se balança para analisar o quanto a vida foi movimentada, no modo como os anos correram e os problemas estacionaram na porta do coração, no agito dos dias mais estressantes e na tranqüilidade dos meses mais felizes, lembrar dos passos lentos de noiva até o altar, e dos pulos contagiantes do dia da formatura.

Nos dois extremos da vida não somos nós quem nos auto-movimentamos, para nascermos é a habilidade de um obstetra que nos retira ao mundo, e na morte é um coveiro quem nos enterra dentro de quem não cessa de movimentos: o planeta Terra.

Felipe Jordan é acadêmico de letras da UFPB.

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