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02 de dezembro de 2010 11:14

Parem de falar mal do internetês!

Por Felipe Jordan

Parem de falar mal do internetês! Parem de dizer que as abreviações que acontecem durante a troca de mensagens instantâneas na internet prejudicam a língua! Não prejudicam! E afirmo isso com todas as palavras! Ao contrário enriquece qualquer idioma! É apenas uma nova variação lingüística que está acontecendo em decorrência de uma circunstancia específica. Circunstancia essa que visa a rapidez no diálogo, e tem como finalidade ganhar tempo sem reduzir as informações que precisam ser transmitidas.

Obviamente não poderemos utilizar o internetês em textos acadêmicos, não podemos esperar encontrar esses tipos de abreviações em artigos científicos, na bula de um remédio, num livro didático! Da mesma forma que não se espera ouvir piadas durante um culto religioso, uma consulta médica ou um discurso fúnebre; como o próprio nome diz esse é um tipo de comunicação apropriado para a internet e talvez recados, bilhetes, lembretes e pequenas anotações informais. Mas definitivamente não existe nenhum mal em desfrutar dessa nova variação lingüística!

No passado utilizava-se “Vosmêce” para se referir a segunda pessoa do singular, atualmente na norma culta utilizamos “Você”, na linguagem poética e regional por vezes encontro: “Ocê” e “Cê”, e no internetês: “Vc”, e mais: consigo vislumbrar uma forte tendência à utilização da simples/composta consoante “C”. E o detalhe mais extraordinário desse fenômeno lingüístico é que não vem acontecendo apenas no Brasil ou apenas no português! Esse é um fenômeno histórico! Pois tem ocorrido em todos os idiomas em que os usuários tem participado de comunidades de relacionamento e ambientes de troca de mensagens instantâneas; por exemplo: “OMG” corresponde à frase: “Oh My GOD!” em inglês; a abreviação: “SLT” em francês significa: “Salut”. Entre outras, essas abreviações servem para enrriquecer a língua e nosso vocabulário particular!

Em contrapartida existem determinadas reformas na língua que serão impostas a partir de determinado momento, e pelo fato de serem obrigatórias, confesso que tenho apreciado muito pouco. Quero concluir comentando uma frase que li recentemente de Evanildo Bechara: “O falante deve ser poliglota em sua própria língua” ou seja conhecer e dominar todas as váriações do nosso idioma, incluindo as abreviações da internet; portanto parem de falar mal do internetês!

Felipe Jordan é acadêmico de letras da UFPB.

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