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03 de dezembro de 2010 10:52

Bactéria usa arsênico para se desenvolver

Por Edimilson Araujo

Um estudo publicado nesta quinta na revista Science redefiniu o que os cientistas acreditavam serem os elementos necessários à vida. Uma equipe de pesquisadores liderados por Felisa Wolfe-Simon, do Instituto de Astrobiologia da NASA, descobriu uma bactéria capaz de sobreviver em um meio recheado de arsênico, um composto historicamente conhecido por ser venenoso. Até então acreditava-se que os elementos básicos à vida de todos os seres vivos eram carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre e fósforo. ?Não há nenhum relato anterior da substituição de um dos seis grades elementos essenciais à vida. Aqui apresentamos evidência de que arsênico pode substituir fósforo nas moléculas de uma bactéria que existe na natureza?, afirmou Felisa no artigo.

A bactéria, descoberta no lago Mono, na Califórnia (EUA), conseguiu também incorporar o arsênico em seu DNA. A escolha do arsênio para substituir o fósforo não foi por acaso. “O arsênico é quimicamente similar ao fósforo. Eles estão muito próximos na tabela periódica”, explicou Felisa durante entrevista transmitida ao vivo pela Nasa.

O fato de ela sobreviver e se desenvolver com arsênico não significa, no entanto, que ele seja seu alimento preferido. No experimento feito por Felisa, a bactéria cresceu mais rapidamente quando alimentada com fósforo do que com arsênico. Em tempo: o lago Mono contém altas concentrações dos dois, fósforo e arsênico. A bactéria, batizada de GFAJ-1, também abre novas perspectivas na busca de vida fora da Terra.

Mas, o que é arsênio?

O arsênio inorgânico é considerado um veneno para seres humanos desde os tempos antigos. O arsênio é um material metálico altamente tóxico, branco-acinzentado. Arsênio inorgânico é criado quando o elemento arsênio combina-se com oxigênio, cloro ou enxofre. Arsênio inorgânico tem sido usado como veneno em pesticidas e herbicidas, e também em caldas de conservantes para tratamento de madeira. O arsênio inorgânico é um veneno extremamente tóxico. Os compostos orgânicos ou inorgânicos de arsênio não avisam da sua presença: eles são pós brancos ou sem cor, e não têm cheiro nem gosto. Pode parecer incrível, mas um grama de arsênio é veneno suficiente para matar sete pessoas adultas.

COMO O ARSÊNIO PODE AFETAR MINHA SAÚDE?

O arsênio pode ser inalado ou ingerido ou, em menor grau, assimilado pela pele. Basta a décima parte de um grama acumulada durante dois meses para causar a morte, e o arsênio causa câncer em níveis muito menores.

Água: O limite internacional de segurança do arsênio na água potável já foi de 50 ppb (partes por bilhão), depois passou para 10 ppb e agora já existem países que querem baixar para 2 ppb.

Solo: A Agência de Proteção Ambiental (EPA) norte-americana estabeleceu um limite de segurança de 10 ppm (10 mg por kg) de arsênio no solo. Níveis de arsênio acima deste limite dão o direito à EPA de ordenar a descontaminação de um estabelecimento comercial pelo proprietário.

Ar: Os limite internacional máximo permitido para exposição ao arsênio inorgânico em ambiente de trabalho é de 10 microgramas por metro cúbico, calculado como um média em um dia de oito horas (OSHA- Occupational Safety and Health Administration, Estados Unidos da América). O arsênio já foi detectado no cabelo, sangue e urina de crianças que viviam perto de uma usina termoelétrica que queimava carvão com um conteúdo de arsênio de apenas 1.000 grams por tonelada. Ototoxicidade por arsênio trazido pelo ar resultou em um aumento significativo de perda auditiva entre crianças expostas.

O fato da bactéria sobreviver e se desenvolver com arsênico não significa, no entanto, que ele seja seu alimento preferido. No experimento feito por Felisa, a bactéria cresceu mais rapidamente quando alimentada com fósforo do que com arsênico. Em tempo: o lago Mono contém altas concentrações dos dois, fósforo e arsênico. A bactéria, batizada de GFAJ-1, também abre novas perspectivas na busca de vida fora da Terra.

Uma das premissas básicas na procura por vida extraterrestre é que deve-se investigar a presença dos elementos básicos à vida. Agora, com esta descoberta, cientistas acreditam que é necessário repensar quais os elementos procurar nessa investigação. “Precisamos rever os ambientes considerados habitáveis”, disse Pamela Conrad, também astrobióloga da Nasa. “A descoberta abre todo um novo campo de pesquisa. Aumentamos sensivelmente nossas perspectivas”.

O fato objetivo é que, como afirmou Felisa, para cada célula do corpo humano, há 10 microorganismos e sabe-se quase nada sobre eles. “O que esses micróbios estão fazendo é muito importante. Precisamos saber mais”.

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