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02 de dezembro de 2010 02:25

Violência no Rio: Como a invasão da Vila Cruzeiro servirá de cena eleitoral

Por Emerson Amaral

Brasil se prepara para o futuro!

Quando vemos a onda de violência tomando conta do Rio ao ponto de preocupar até dirigentes de futebol, temos que sair do efeito e pensar na causa. Na verdade somos um País que vibra com atos esportivos, heróicos e pouco nos preocupamos trabalhar as raízes.

Raiz para uma nação em desenvolvimento, ou seja, que ainda não se sustenta, é fortalecia pela educação-base que aponta prioridades e responsabilidades sociais que devemos assumir desce cedo.

Quando somos crianças nossos pais nos presenteiam com brinquedos e nos mandam para a escola. Ficamos entre a diversão e ação para o futuro e ás vezes a brincadeira vira paixão e a profissão, mera ocasião: resultado: somos pobres de tudo mais nos justificamos felizes.

Sinceramente não sei dizer o que é mais impressionante, se o poder de alienação do Estado ou a capacidade de se deixar alienar do povo brasileiro. É perfeitamente normal para crianças, adolescentes ou até mesmo mulheres carentes passarem o seu precioso domingo correndo atrás de jogadores de futebol.

O que não se pode entender é que povo e governo trate com tanto esmero a realização, por exemplo, de uma Copa do Mundo, quando na verdade o País está entregue a desordem e a falta de conscientização.

Na época da ditadura militar, constatando a falta de idealismo e de patriotismo do povo brasileiro, frente às constantes provas de uma pátria madrasta, solicitou a composição de uma música focada no futebol, única coisa ainda não ruim que tinha pra mostrar. Daí surgiu o famoso “Cento e vinte milhões em ação?”, levando uma alienada multidão ao delírio patriótico. Com isso, todas as outras questões essenciais, como, saúde, educação, desemprego, foram esquecidos. O brasileiro virou patriota do dia pra noite.

Agora enquanto agonizamos em busca de uma copa de interesses, assistimos a falsa paixão dos dirigentes e políticos do estado sonhando com a soleira da fonte de renda que o Mundial numa cidade como Natal traria. Esses que defendem tanto o desenvolvimento e futuro são aqueles que esquecem suas promessas e apenas pensam em garantir o seu. Resultado: violência 10×0.

No universo do futebol quem sai lucrando não são os torcedores, que consideram a vitória de seus times como questão de ?vida ou morte?, mas são os jogadores de futebol, os donos dos times, a imprensa em geral e as empresas que anunciam seus produtos. A massa alienada só leva a pior e agora no Rio, vai disputar com traficantes e policiais o direito ?sagrado? de ver seu time jogar.

Que o futebol está no cerne da cultura nacional, todos sabem. Mas poucos têm consciência das implicações que isso traz à vida prática. O lazer é essencial para uma vida com qualidade. Porém, deve haver uma justa medida entre o lazer e as outras coisas. A violência das ruas também é o resultado de prioridades equivocadas de povo e governo que deveria transferir energia e ação para os fatores fundamentais da vida e não inverter os valores.

Quando o lazer toma o centro da vida, desloca nossa atenção para fatores talvez não tão importantes, agindo como um entorpecente, que ameniza as dores da vida, criando um mundo paralelo alegrado artificialmente. Como Marx acusava a religião de ser o Ópio do Povo, queremos apresentar o futebol como um elemento comum de ação entorpecente.

O futebol demonstra sua ação alucinante. Cada partida tinha o poder de fazer um país parar, escolas, bancos, lojas e todos os tipos de estabelecimentos pararam para se concentrar nas disputas e acompanhar em tempo real as batalhas futebolísticas, onde cada brasileiro se vê representando nos jogadores, que numa batalha sem armas tentam defender seu país.

Nas antigas batalhas existiam bons soldados, que lutam por amor à pátria e que levam em seu peito o garbo arrojado, tradição de seu povo. Contudo, podia ser encontrado naquelas batalhas, o velho mercenário que por algumas moedas de prata deixava de lutar, abandonando ao léu os fiéis soldados. Alguns destes mercenários não só deixavam de lutar, mas mudavam de exército, traindo sua pátria.

A realidade do mundo de hoje exige uma profunda reflexão sobre os reais motivos de contemplarmos essa cenas degradantes e qual o nosso papel como formadores de opinião no contexto desta ?partida? que decidirá, não nossa posição da Libertadores, Série B ou Copa do Brasil, mas principalmente aonde estaremos no ?dia de amanhã. Pensemos um pouco além das quatro linhas e vejamos qual a iniciativa que deve ser tomada para evitarmos o nosso ?rebaixamento? definitivo na ?temporada?.

Aprendendo à viver:

“A vitória de cada um, está no sucesso de toda a sua classe!”

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