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08 de setembro de 2010 13:53

Esportes radicais em Camaçari sem apoio e sem patrocinadores

Apesar de ter uma Secretaria voltada para o esporte, esportistas reclamam de abandono e falta de apoio em Camaçari.

Por Marcos Elder

Existem diferentes modalidades esportivas, a mais conhecida de todas, hoje, talvez seja o futebol, mas existem outras modalidades que milhões de pessoas apreciam e se imaginam fazendo: são os esportes radicais.  

Pegar uma onda numa prancha, andar de skate pelas ruas, contornar qualquer obstáculo com uma bicicleta, fazer alguma arte marcial, pular de paraquedas, ser piloto de carro e de moto, e tantos outros desejos coletivos, que muitos se arriscam no decorrer da vida, mas poucos são os que se profissionalizam.

A profissionalização dos esportes radicais está seriamente comprometida com a falta de incentivo e de patrocínio tanto da esfera privada quanto da pública. O máximo de apoio que  um atleta hoje pode esperar é receber uma passagem para ir de ônibus, e talvez alojamento e alimentação.

O Camaçari Diário entrevistou Neilson Sena, que já venceu três etapas do campeonato brasileiro na categoria “Elite Cruiser”, e é praticante há mais de 20 anos.

CD Nei, como você se define?

Nei Sena, Camaçariense e três vezes campeão de etapas do campeonato brasileiro na categoria “Elite Cruiser”, num Table Top Quadri-guidõ ou zip-zap.

Foto: Marcos Élder.

 

NS – Eu sou um esportista super-radical. Pratico bicicross, motocross, trilha, surf de prancha, de body board, sand board/skyd areia, skate, capoeira, boxe, vaquejada.

CD – Como é a vida de um esportista radical?

NS É muita correria. A gente leva o nome de Camaçari, da Bahia e do Brasil para diversos campeonatos, mas vamos sempre por nossa conta e sorte. Não temos convenio médico nem assistência médica, e isso considerando que é muito fácil se machucar nos esportes radicais.

Leandro dos Anjos num Table Top Invert.

Foto: Marcos Élder.

 

Hoje o esportista radical não pode viver do esporte, pois não tem patrocinadores, então não podemos nos dedicar exclusivamente ao esporte. Para nos manter temos que trabalhar em outras atividades nada a ver com o esporte. Muitos atletas por não terem apoio terminaram se envolvendo com o crack e morreram. Ao invés do governo ficar fazendo propaganda contra as drogas e aumentando o número de policiais violentos que humilham qualquer cidadão, ele deveria era apoiar os atletas e artistas locais, dando salário e dignidade à juventude. Mas não, empurram os jovens atletas ou possíveis atletas para o tráfico, depois investe na policia e em propaganda da polícia matando traficantes. Eles estão de certa forma sendo os responsáveis pelo extermínio da juventude por causa das drogas.

O atleta merece respeito, ser apoiado e viver honestamente de seu esporte, para se dedicar e se aperfeiçoar sempre. Tendo convênio médico, bons equipamentos. Veja estas bicicletas mesmo (mostra as bicicletas de dois grandes jovens atletas, o Jailson Pereira e o Leandro dos Anjos)… Isso são pedaços de bicicleta. Se tivermos apoio ou patrocínio, o atleta terá equipamentos para desenvolver o seu talento. Os meninos são bons. Dão um show. Mas, a falta de patrocínios dificilmente permitirá que eles levem o esporte para frente.

Camaçari tem atletas que seriam riquíssimos se fossem morar em outros países ou em outros estados. Mas, aqui na Bahia quando recebemos algum apoio no máximo é a passagem de ida e volta. E ainda assim é difícil.
Cadê o patrocínio das empresas do Polo? Cada empresa deveria começar a adotar os atletas e artistas locais.

CD – Como você avalia o desenvolvimento do

Jailson Pereira num Table Top.

esporte radical em Camaçari?

NS Em Camaçari parece que os esportes radicais andaram na marcha ré. Há uns 20 anos o local onde hoje é o Espaço 2000 era uma pista de motocross, e o espaço onde é o Clube Social era a pista de bicicross. Os eventos aqui lotavam. Camaçari tinha muitos atletas de qualidade. A gente era quem mais ganhava nas competições do Norte e Nordeste. Agora tivemos a etapa do brasileiro de bicicross em Salvador sem a participação de atletas de Camaçari. 

Tem mais de 20 anos que represento Camaçari, e nos últimos anos a coisa ficou mais difícil ainda. No tempo de Tudão (se referindo ao ex-prefeito José Tude) a gente tinha um ônibus à disposição para ir para qualquer campeonato pelo Brasil. A prefeitura dava o transporte, a hospedagem e a alimentação. Além disso, muitas vezes dava a manutenção nas bicicletas, e disponibilizava a academia para os atletas.  Só não pagava salários, mas a gente tinha mais poder de diálogo.

No tempo do atual prefeito Caetano a gente já chegou a treinar por uma semana pela Prefeitura, e no dia da viagem não liberaram a verba para levar a equipe. Isso começou a acontecer muito, e muitos atletas foram se afastando dos esportes. Para nós esportistas radicais de Camaçari não sabemos o que é a SEDEL, nem a Cidade do Saber. Não temos nenhum apoio… Finalizou Nei.

Segundo Raimundo Blumetti, secretário de esportes do município, a Prefeitura de Camaçari apoia todas as modalidades esportivas radicais ou não. Blumetti disse que a SEDEL “tem um contrato de gestão com a Cidade do Saber, onde nós pagamos para que se desenvolvam escolinhas lá, porque eles têm uma quadra com proporções profissionais. Os profissionais são tanto da SEDEL quanto da Cidade do Saber”.

Sobre o apoio que a SEDEL dá aos atletas, Blummetti disse que “muitos dos torneios que os atletas de Camaçari participam são realizados em outras localidades do Brasil. Quando o esporte é individual é ainda mais fácil enviar o atleta, mas a depender do que seja, enviamos toda a equipe também”.

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