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22 de outubro de 2010 08:54

Caso de sequestro internacional é denunciado na Câmara Municipal de Camaçari

A denúncia foi feita pelo vereador Cleber Alves (PT) que acompanha o caso há cinco anos.

Por Editor
 
Rosenilda com sua mãe no aeroporto.  

Um dos principais assuntos debatidos na Câmara Municipal de Camaçari na terça-feira (19/10) foi a denúncia feita pelo vereador Cleber Alves (PT) sobre um caso de sequestro internacional de duas crianças, filhas de uma senhora de Vilas de Abrantes. Cleber Alves informou que há cinco anos os dois filhos dessa senhora foram sequestrados e levados para Portugal por uma portuguesa, e até agora ela não conseguiu resgatar os filhos.

O vereador Cleber Alves (PT), chamou a atenção para o descaso dos governos brasileiro e português. “O que mais me entristece é que os Consulados de Portugal e do Brasil não fazem nada. Mês passado eu vi o presidente Lula viajando para o Irã para resolver problemas por lá, contudo, até agora não vejo ninguém do governo federal trabalhando para ajudar esta mulher, que é brasileira e gente da gente”.

Cleber Alves informou que se sente impotente depois de cinco anos lutando para ajudar no caso e não ter conseguido nada. “Acompanho o caso há cinco anos. Já levei esse mãe até Portugal, já fomos na Embaixada Brasileira, já tentamos de tudo ao nosso alcance, mas nada foi resolvido ainda. Por isso preço a ajuda da mídia e desta Casa para que encontremos uma forma de resgatar os filhos desta senhora”, afirmou o vereador.

O sequestro teria sido cometido pela esteticista Paula de Jesus Costa Figueiredo, 42 anos, em 2005, quando Rosenilda conheceu Paula aqui na Fonte da Caixa, em Vila de Abrantes, e em seguida seguiu para Portugal com a de trabalho e boa escola para suas filhas. Depois de ir com apenas a filha mais nova (Maia Clara) com 15 dias de nascida, Rosenilda voltou para o Brasil buscar a filha mais velha (Rozivânia), na época com 5 anos.

De volta a Portugal Rosenilda foi orientada por Paula a deixar as filhas sob a guarda dela, enquanto deveria retornar para o Brasil buscar um visto permanente para continuar em Portugal. Ao retornar para o Brasil e não conseguir o visto, Rosenilda descobriu que estava sendo vítima de um golpe.

Presente na Sessão, Rosenilda Barbosa Alves, 28 anos, mãe das duas meninas sequestradas, contou com detalhes como tudo começou e como o processo está no momento.

Veja o relato de Rosenilda:

“Conheci a Paula aqui em Vilas de Abrantes, na Fonte Caixa, onde meus país têm um bar e um restaurante. Ela parou aqui e na época eu estava grávida da minha filha mais nova Maria Clara (hoje tem cinco anos) e Maria Rosivânia tinha cinco anos (hoje tem 10).

Ai ela começou a vir para cá e fizemos amizade. E ela começou a visitar a casa de meus pais onde eu moro e fizemos um grande amizade. E foi quando ela me perguntou se a criança que estava esperando tinha padrinho. Ai foi quando ela quis me ajudar com o enxoval da criança.

Depois me perguntou se eu queria ir a Portugal batizar a criança, pois o visto dela estava acabando, eu fui para Portugal com menina e passamos três meses lá. A mais velha ficou com meus pais aqui em casa. Nos primeiros três meses eu fiquei fazendo um curso de estética.

Depois ela me apresentou o rapaz dono de um restaurante alegando que me daria um emprego só que eu tinha que vir buscar minha filha mais velha no Brasil, pois ele só me daria férias depois de um ano.

Eu vim e peguei minha filha mais velha. Ao voltar para lá o dono do restaurante tinha sumido e ela me disse que ele tinha vendido e ido morar nos estados unidos.

Depois disso voltei a estudar o curso de estética e ajuda-la nos serviços domésticos. Foi quando eu decidi sair do curso, pois não era o que eu esperava e me identificava, foi quando ela mandou eu vir para o Brasil buscar um contrato de trabalho de doméstica, onde ela me colocaria para trabalhar na casa de uma pessoa , e um visto de permanência em Portugal.

Foram seis meses. Antes de vir ela me fez assinar uma declaração dizendo que ela ficaria responsável pelos meus filhos na minha ausência. Ela me disse que eu teria que vir para cá pegar este contrato para conseguir um visto permanente.

Como estava demorando dela me enviar o contrato de emprego para que eu apresentasse no Consulado Português, eu comecei a ligar para ela, mas ela não me dava respostas e quando o fazia ficava me enrolando. Então percebi que ela estava querendo tomar minhas filhas.

O Consulado português aqui de Salvador me disse que não poderia fazer nada. Me disseram que eu fosse para Lisboa fazer um escândalo no aeroporto. Depois procurei Deodato Alcântara no A Tarde que me levou para Ministério Público em Salvador, onde dei entrada num processo com o promotor Dr. Carlos Martel. O processo chegou em 15 dias em Portugal. Chegando lá a justiça portuguesa arquivou meu processo numa gaveta durante um ano e oito meses.

Foi quando retornei ao Ministério Público e fiz uma manifestação em 2007, e  Consulado Brasileiro lá em Portugal descobriu meu caso e Marília de Oliveira, a vice-cônsul descobriu que a Paula estava pedindo a adoção das meninas, alegando que uma mãe brasileira tinha deixado duas crianças abandonadas e tinha voltado para o Brasil. Só que ela escondeu a declaração que eu fiz. Mas, Marília descobriu tudo isso e impediu que Paula adotasse as meninas.

Depois disso o meu advogada lá, no consulado do Brasil, Dr. João Carlos Salles Júnior, deu entrada num novo processo lá em Portugal para reaver minhas filhas. Aí depois disso Paula entrou com dois processos contra mim, um contra perda paternal e outro de abuso sexual. Aí voltei para Portugal em janeiro de 2009, entretanto chegando lá em Portugal foi acusada de prostitua, eu e meu irmão acusados de pedófilos, dizendo que aqui no Brasil corria um processo contra mim e meu irmão. Aí quando retornei ao Brasil em 10 de setembro deste ano, fui a Polícia Federal e ao Fórum tirar quatro certidões negativas, duas da PF e duas do Fórum para provar que nada consta contra a gente. Aí no dia 29 de setembro a justiça de Portugal retirou as duas sentenças que havia contra mim e reconheceram que eu fiz a declaração deixando minhas filhas com Paula somente na minha ausência.

Só que, para não me entregarem minhas filhas de mão beijada, a justiça portuguesa alega que as meninas não podem voltar para o Brasil e viver comigo, alegando que correm risco de morar com a mãe biológica. Eles querem que eu vá morar com as meninas na casa de Paula. Isso é impossível.

Aqui no Brasil eu só tive o apoio do vereador Cleber Alves, de Deodato do Jornal A Tarde e de Dr. Carlos. Não tive apoio de mais ninguém do governo, nem do presidente Lula, nem do governador Jaques Wagner. E Wagner sabe de minha situação, pois ele já viu minha história nos jornais e já me viu num programa de televisão onde ele também estava, mas ele nunca se prontificou a me ajudar. Eu entreguei uma carta ao prefeito Caetano no dia do desfile que houve aqui em Vila de Abrantes, explicando tudo e pedindo a ajuda dele, mas até agora ele não me ligou com nenhuma resposta. Enquanto a Paula tem o apoio da justiça portuguesa, do governo, da sociedade e da imprensa.

Enquanto eu estava Portugal eu via as meninas num regime de visitas. Mas, ela sabotou meu contato. A minha filha mais nova quando me viu pela primeira vez me amou, pois ela ainda não me conhecia. Pois, quando deixei ela para vir ao Brasil ela tinha nove meses.

O meu advogado disse, há oito dias, que se eu conseguisse chegar até o governo eu poderia conseguir minhas filhas de volta. Pois o Supremo Tribunal de Portugal disse que só em trinta dias me daria uma resposta. Mas, ele foi bem sincero ao dizer que pelo visto a justiça permanecerá com a determinação proibindo minhas filhas de retornarem para morar comigo aqui no Brasil.

No caso do menino Sean houve acordo entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. Mas eu estou aqui sofrendo sozinha. Eu sou uma mãe brasileira abandonada pelo seu governo e pelo seu país. Eu espero que meu grito de socorro chegue até aos ouvidos de alguém que possa intervir e trazer meus filhos de volta”.

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