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28 de outubro de 2010 09:02

Dois tucanos não se bicam

Artigo de autoria do jornalista Geraldo Honorato.

Por Editor

Artigo enviado pelo jornalista Geraldo Honorato.

 
Geraldo Honorato, jornalista.  

Qual o verdadeiro sentido de Aécio Neves, senador eleito e ex-governador de Minas Gerais, cruzar o país para, conforme o próprio afirma, garantir a vitória de José Serra? Não seria mais razoável que se embrenhasse nos 853 municípios do seu estado natal, onde, diga-se de passagem, Dilma venceu com 46% dos votos?

Duas possibilidades são plausíveis para explicar o empenho tardio de Aécio na campanha tucana. A primeira delas dialoga com a necessidade de fortalecer o nome de Serra, que, cá entre nós, é desprovido de carisma e identificação popular. E aí, como forma de ajudá-lo, o neto de Tancredo, no bom estilo come-quieto, tem esbanjado simpatia no norte-nordeste. Até agora parece que não funcionou.

A outra, mais real, dá conta de que Aécio está fazendo campanha para ser o nome do PSDB – ou da oposição, já que tenciona a possibilidade de criar um novo partido – em 2014. O seu engajamento no segundo turno da disputa presidenciável tem o objetivo de se tornar mais conhecido. Dessa forma, planta a semente do projeto de ser presidente da República daqui a quatro anos.

Como dois e dois são quatro, é notório, pelo menos entre os que acompanham a grande política, que Serra e Aécio não se bicam, apenas administram diferenças em função da boa imagem pública. Ambos duelaram pela indicação do PSDB usando métodos deploráveis. Prova disso é que a quebra de sigilo da filha de Serra (Verônica Serra) foi encomendada por figuras intimamente ligadas ao Palácio Tiradentes.

Sabido e ligeiro, o neto de Tancredo quer destino semelhante ao do avô. Percebeu que Serra vai perder a eleição e logo tratou de se movimentar. Almeja ser a principal voz oposicionista do país. No entanto, terá que começar a se preparar para talvez enfrentar Lula, cuja possibilidade de voltar ao Planalto em 2014 é cogitada desde já. Medir forças com Lula é tarefa árdua, já que não se trata de um simples mortal, mas de um mito. Sendo assim, é bom Aécio considerar 2018, quando possivelmente não haverá mais reeleição para cargos majoritários.

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