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06 de outubro de 2010 18:59

Os cacos da oposição na Bahia e em Camaçari

Ou a oposição repensa sua forma política ou ficará fadada a mais derrotas.

Por Editor

Texto de André Damasceno, publicado na coluna Ponto de Vista.

 
André Damasceno, diretor do Camaçari Diário.  

Antes das eleições deste ano, ouvi muitas pessoas do meio político, tanto governistas como oposicionistas, falando que as eleições de 2012 em Camaçari dependeriam e muito do resultado do pleito eleitoral disputado no último dia 03 de outubro. Se assim o for, haverá a continuidade do projeto do governador Jaques Wagner e do prefeito Luiz Caetano tanto na Bahia como em Camaçari, tendo em vista o esfacelamento da oposição baiana e camaçariense nesta eleição.

Não sou partidário e muito menos torço para que um lado se sobressaia perante o outro, mas torço por um bom debate político com um governo e uma oposição fortalecida. Contudo, o que vemos é apenas um governo mais que fortalecido, aclamado com mais de 63% de aprovação nas urnas, reelegendo Jaques Wagner no primeiro turno para o Palácio de Ondina. Enquanto a oposição é esfacelada com Paulo Souto (DEM) tendo apenas 16,09% dos votos e Geddel (PMDB) com 15,56%. Se somarmos os dois candidatos da oposição, não teremos nem metade dos votos conquistados por Wagner. Se analisarmos este resultado com base nos votos de Camaçari. Paulo Souto e Geddel juntos só conseguiram 31.112 votos na cidade, enquanto Wagner conquistou 57.587 votos camaçarienses.

E o que falar então com base no resultado eleitoral dos candidatos de Camaçari que disputaram uma vaga na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal? Computando apenas os votos obtidos em Camaçari veremos outra derrota fulminante da oposição. Somando os votos dos candidatos oposicionistas com atuação em Camaçari, como o deputado Ferreira Ottomar, Dr. Artur, a vice-prefeita Dra. Tereza Giffone e João Carlos Bacelar dá um total de 17.616 votos, contra 31.181 obtidos somente pelos candidatos a deputados estaduais do governo, como a vereadora Luiza Maia, do deputado estadual Bira Coroa e Cotrim. Só a vereadora Luiza Maia conseguiu 24.605, muito mais do que a oposição junta.

Alguns podem estar se perguntando onde estão os votos do candidato Marco Antônio. Como sua candidatura está impugnada e com um recurso no TSE tentando reverter a decisão da justiça, de nada valeria contar. Sem falar que não podemos considerar liderança política um candidato que chegou numa cidade a tão pouco tempo e já quer ser o prefeito com base nos interesses daqueles que bancam suas campanhas.
Contudo, mesmo com a campanha que fez, e contrariando aqueles que achavam que ele conseguiria a mesma quantidade de votos que teve em 2008 na candidatura para prefeito, Marco Antônio teve menos votos do que outros candidatos oposicionistas em Camaçari.

Derrotados nas urnas, muitos oposicionistas creditam a vitória dos governistas ao uso da máquina administrativa na conquista de votos e alianças. Contudo, é importante destacar que, em 2004 quando a mudança começou a acontecer na Bahia com a vitória do prefeito Luiz Caetano sobre Helder Almeida e o grupo carlista em Camaçari, e logo em seguida em 2006 com a eleição de Wagner contra Paulo Souto, então governador, quem estava com a máquina administrativa na mão foi derrotado. Então será que basta apenas ter a máquina administrativa na mão ou é necessário mais que isso? Na verdade o que falta é união e organização política entre as oposições.

Em 2008 a oposição até tentou se unir em Camaçari, mas como existiam diversos interesses econômicos e pessoas em cada um dos candidatos e partidos da oposição, o que se viu foi uma derrota esmagadora, conseguindo eleger apenas dois vereadores, numa Câmara com 13, e para piorar os dois candidatos à prefeito da oposição viram o prefeito Luiz Caetano vencer com mais de 70% de aprovação popular e com um grande bloco de partidos aliados. Fruto de uma organização, união e estratégia política pensada e planejada Não estou aqui questionando os métodos utilizados para esta união, isso é assunto para um outro artigo, mas o fato de que ela existe e fez a diferença.

Como fruto da desunião e desorganização da oposição na Bahia e em Camaçari, vimos a derrocada política de nomes fortes como o do deputado Ferreira Ottomar que na trajetória de sua vida política, marcada pelas constantes mudanças de lado, sendo governo ou oposição, e pelas traições sofridas por parte de aliados políticos, viu o adiamento de seu sonho de ser o prefeito de nossa cidade. Um homem de família, com belos projetos socias na cidade, um empresário de sucesso, mas que na vida política não soube atuar com a mesma maestria com que administras suas empresas.

Ainda faltam dois anos para as eleições municipais de 2012, tempo suficiente para a oposição repensar sua forma de fazer política, de aprender com os erros cometidos ao longo desses anos e até aprender com os acertos do governo. Tempo suficiente para o fortalecimento de uma única oposição e não de várias candidaturas oposicionistas. Tempo para o surgimento de novos nomes na política. De novas lideranças. Lideranças comprometidas com a sociedade. Políticos que não caiam de paraquedas querendo governar nossa cidade. Há tempo para catar os cacos e, quem sabe, tentar voltar a crescer para fortalecer o debate político em Camaçari.

Ao governo petista e aos partidos aliados cabe a missão de dar continuidade ao projeto que o tem levado a constantes vitórias nas eleições, tanto no Brasil, como na Bahia e em Camaçari.

A respeito da oposição não preciso falar mais nada. Basta para ela olhar os resultados eleitorais e refletir sobre os erros, para corrigi-los. Do contrário, continuarão catando os cacos após cada eleição.

 

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