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03 de novembro de 2010 09:07

Os jovens e o mundo das drogas. Entenda como ajudar.

Entrevista com a pedagoga Fernanda Santos que trabalhou com jovens viciados.

Por Fabiane Santos

Um tema polêmico, mas que nunca deixa de ser comentado. O jovem rebelde, a falta de educação, famílias que acaba, sensações e desejos. Muitos pesquisadores buscam entender o que está acontecendo com a juventude que tanto procura as drogas para fugir dos problemas enfrentados no dia-a-dia.  Segundo informações da UNODC (Nações Unidas Sobre Drogas e Crimes), o Brasil e Argentina constituem os maiores mercados de cocaína na América do Sul em termos absolutos (mais de 900 mil e 600 mil usuários, respectivamente).

E isso acaba acontecendo bem na nossa frente. Jovens e crianças entram para o mundo das drogas e consequentemente para o mundo do crime. A pedagoga Fernanda Santos, 30 anos, formada pela Universidade Estácio de Sá é conhecedora sobre o assunto. Já fez curso no DENARC (Departamento de Investigação sobre Narcóticos – SP) e trabalhou em comunidades carentes do Rio.

Camaçari Diário: Por qual motivo o jovem inicia o uso de drogas?

Fernanda: Seria muito difícil caracterizar um único fator. Existem diferentes fatores que podem desencadear o uso de drogas em cada tipo de grupo. Tudo é gerado entorno do prazer, na busca disso os jovens acabam se enganando em uma falsa “onda” – sensação.

Camaçari Diário: Filhos de pais viciados têm mais tendência a usar drogas?

Fernanda: Não. Tudo depende muito da criação, do meio em que esse jovem vive e frequenta. Não se encontra droga só dentro de casa ou só na rua. O que está faltando seria o diálogo e a clareza com que vai se passar um assunto. Se os pais não sabem sobre o que vão falar sobre as drogas, tenha certeza que o filho já conhece sobre esse assunto. Hoje em todos os lugares que se anda se fala sobre drogas. Seja porque já usou, ou por que conhece alguém que usa. É preciso buscar o conhecimento.

Camaçari Diário: Qual o papel da família que tem um usuário em casa?

Fernanda: A família é a base de tudo. Muitos psicólogos e antropólogos acreditam que é a falta da família que pode desencadear esse e outros tipos de distúrbio comportamental. Nesse momento que o problema já está dentro de casa é preciso buscar ajuda com profissionais, pois não só o usuário está doente, como a família também.

Camaçari Diário: Por que a família de um viciado é considerada doente?

Fernanda: Porque o psicológico da família também fica abalado. A mãe não sabe se sustenta o vício para ter seu filho sempre por perto ou se isola como geralmente faz o pai e ainda responsabiliza a mãe. Os conflitos familiares começam a aparecer. Por isso é preciso que a família permaneça unida e busque ajuda.

Camaçari Diário: Como resolver o problema do usuário?

Fernanda: Seria o tratamento de desintoxicação para usuários de droga. E isso só existe em centros ou clínicas de reabilitação para dependentes químicos. O usuário deve ser encaminhado para estes locais. É importante que a sociedade saiba que não existe esse tipo de tratamento em hospitais, tão pouco em delegacias.
Camaçari Diário: E o usuário deve ser encaminhado pela força bruta ou pelo diálogo?
Fernanda: Deve ser sempre pelo diálogo. Conversar, explicar, ter paciência, muito amor e carinho. Ele só pode ser levado pela força, quando ele se torna um perigo à sociedade. Causando risco à vida dele ou do próximo, ai é preciso retirar ele desse cenário para que o problema não se torne ainda pior.

Camaçari Diário: Onde esses Centros de Reabilitação podem ser encontrados?

Fernanda: Geralmente as Prefeituras de cada município elaboram projetos de inclusão social para auxiliar as famílias, porém só isso não é suficiente. Os centros de reabilitação normalmente são particulares, os públicos são gerenciados por igrejas evangélicas e são os que mais trabalham com dependentes químicos.

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