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01 de novembro de 2010 07:31

Boletim Eleitoral, por Geraldo Honorato

Jornalista de formação Geraldo Honorato destaca alguns pontos desta campanha.

Por Editor
 
Geraldo Honorato, jornalista.  

Sem o direito de errar

O ano era 2003. Assisti tudo pela televisão, não lembro exatamente em qual emissora, até porque praticamente todas cobriram em tempo real o acontecimento classificado como um marco da história democrática do país. Revi cenas da posse do presidente Lula outro dia por meio do excelente documentário “Entreatos”, do ricaço João Moreira Sales, cineasta dos bons e herdeiro de uma das maiores fortunas do país.

No primeiro discurso oficial, Lula ponderou que não tinha o direito de errar, senão jamais outro operário, em função do tamanho desgaste que seria causado no “campo popular”, chegaria novamente à Presidência da República. Ele estava certo. Felizmente, cumpriu a sua tarefa com nota máxima e garantiu vaga, ao lado de Juscelino e Getúlio, no seleto time de estadistas que o Brasil produziu.
 
Obrigação de acertar

Com Dilma Rousseff não será diferente. Simbolicamente, a vitória da 36ª presidente da República tem carga semelhante ao êxito de Lula em 2002. Ser a primeira mulher a governar uma nação majoritariamente machista e em franca ascensão, imputa – a ela – o enorme desafio de também não poder errar.

Se Dilma não for bem, serão necessários pelo menos outros 30 anos para que uma mulher volte novamente a ocupar o cargo máximo da política nacional. Ela sabe disso, tanto é que reiteradas vezes, durante a campanha eleitoral, falou claramente sobre o assunto.
 
A vez da Mulher

Com mais de 55 milhões de votos, Dilma se tornou a estreante (nas urnas) mais votada da história da política nacional, quiçá mundial. Ela tem maioria tranqüila na Câmara e no Senado, além de possuir de cara o apoio de 16 governadores. Soma-se a isso o fato de o país viver o seu melhor momento econômico, com excelente imagem internacional e tendência de crescimento acima de 6% nos próximos anos. Portanto, tem todas as condições objetivas para fazer um excelente governo.
 
A nova-velha direita

Comenta-se que Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais e senador eleito, pretende montar um novo partido político. A ideia do neto de Tancredo é construir, a partir do seu estado natal, uma legenda de oposição moderada ao governo do PT.

Tal qual o avô, que deixou o MDB, embrião do PMDB, em 1980 para fundar o Partido Popular (PP), Aécio – cujo descontentamento com o PSDB ficou claro após ser preterido na disputa interna que escolheu José Serra como o candidato tucano à Presidência – quer dar voos mais altos.
 
Camaçari

A vitória de Dilma jogou uma pá de cal nas pretensões – a curto prazo – da oposição ao prefeito Luiz Caetano.

Derrotada para presidente, governador e senador, as hostes oposicionistas perderam parte considerável da pouca força política que restava. Isto é, não têm, pelo menos por ora, apoios externos que garantam estrutura e respaldo para a apresentação de uma candidatura de ponta em 2012. A tendência é de que – mais uma vez – se dinamitem até achar o “prometido”.
 
Lei molhada

Nos dois turnos da eleição, o Brasil foi às urnas sem a proibição do comércio de bebidas alcoólicas no dia da votação. Ao invés da lei seca, o Tribunal Superior Eleitoral optou este ano, fazendo uso de um trocadilho infame, pela lei molhada. Também pudera, já que o sobrenome do presidente do TSE é Lewandowski, adaptação perfeita de uma das frases preferidas do personagem João Cana Brava: levando whisky!
 
O triunvirato

As três figuras de maior destaque da coordenação da campanha de Dilma, cujos nomes saem com prestígio beirando as nuvens, foram, sem escala de prevalência, o ex-ministro Antonio Palocci, o deputado federal José Eduardo Cardoso e o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. Os dois primeiros da lista tríplice são cotados para assumir ministérios.
 
Mal na fita

Das 15 maiores cidades da Bahia, estado no qual Dilma venceu com 70% dos votos válidos, Serra venceu somente em Vitória da Conquista, o que já era esperado em função do resultado do primeiro turno da eleição naquele município. Mas na Região Metropolitana de Salvador (RMS), onde está concentrado mais de um terço do eleitorado baiano, o desempenho do tucano foi horroroso. Perdeu feio em todos os lugares.

Na capital do estado, obteve apenas 26% das intenções de voto, enquanto a candidata petista arrebatou 73%. Em Camaçari, o placar foi de 68% a 32% a favor de Dilma. A maior vitória de Rousseff na RMS foi em Candeias (86,2% a 13,8).
 
Caiu mais o último mito das Gerais

Dilma ganhou com folga de Serra (58,5% a 51,5%), leia-se Aécio Neves, em Minas Gerais. O núcleo duro da campanha do PSDB avaliava que o engajamento do ex-governador de Minas e senador eleito na campanha tucano faria do estado, detentor de 14 milhões de eleitores, o grande diferencial do segundo turno. Até aí tudo bem, porém faltou combinar com os russos, ou melhor, petistas.

Lula colou em Minas, aproximou Dilma, que é mineira de Belo Horizonte, do seu estado natal e não deu outra. Venceu bem e jogou um balde de água fria nos planos do tucanato.

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